sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

PATINANDO COM OS DESEJOS

Em 2018, ao retornar de férias à minha cidade de residência — escrevo como tal, porque mesmo sendo a minha cidade paixão, não era a minha cidade propriamente dita —, devido a não ter nascido ou não ter sido criado naquela localidade. É a melhor cidade brasileira, segundo a minha ótica, nem preciso escrever o seu nome, visto que certamente você sabe a resposta. 

Pude observar que havia patinetes amarelos, patinetes verdes e bicicletas amarelas para aluguel. Tive vontade de experimentar um patinete; contudo, por uma razão inespecífica, ou seja, eu não sei dizer, não o fiz. 

Talvez após um ano, eles foram proibidos e retirados de circulação. É incrível que, por algum tempo, alguns cidadãos ainda possuíam bicicletas similares, cuja via de aquisição desconheço. 

Após vários anos, revi-os, dessa vez no Rio de Janeiro. Lá estavam os patinetes elétricos e as bicicletas convencionais e elétricas para o aluguer. Novamente, fiquei ávido para experimentar um patinete elétrico. Entretanto, havia a necessidade de baixar um aplicativo para o acesso. Manejar aplicativos via celular, nas ruas cariocas não era e continua não sendo um ato previdente, confortável; pode custar-lhe inclusive a existência. Se eu, ao menos, tivesse companhia para assegurar uma pseudo segurança contra os meliantes… mas não. 

Assim, a frustração reinvadiu o meu ser, o que ocorreu em distanciados lapsos entre 2018 e 2025. Três meses após a última decepção, revejo os patinetes elétricos, não tão uniformes nas cores e no estado de conservação de então. Afinal, o detentor não era mais uma grande empresa que se espalhava pelo país afora, mas sim, um microempresário. Nesse dia, os ânimos não estavam em alta para essa pequena aventura. 

Uma semana após, não resisti: 20 minutos por 20 reais. O dono explicou-me: aqui é o acelerador, na mão direita, e na esquerda, o freio. Primeiro, impulsione-o, suba e acelere. Qual é a velocidade? Cerca de 10 km/h. Nada de equipamentos de proteção. O meu frontal seria o capacete e a fratura do osso rádio poderia ser o resultado do não uso de cotoveleiras e de luvas. À primeira tentativa, ele não saiu do local.

O senhor redisse, é preciso impulsionar antes de subir e depois acelerar. Pronto! Eu deslizava pela ciclovia da Orla Morena, defronte ao Aeroporto de Campo Grande, em direção ao centro. Sentia na face o frescor contrastante da canícula da cidade oestina. Como os pneus são de borracha dura, o patinete vibrava conforme a superfície de rolagem. Pude verificar que não são apenas os carros que sofrem avarias causadas pela má pavimentação asfáltica. Pensei: a minha pele está se movimentando como uma gelatina — treme-treme — devido a essa condição da ciclovia. 

Planejei pilotá-lo por cerca de dois quilômetros, ida e volta. Todavia, antes de retornar ao ponto inicial, cerca de 500 metros, a bateria acabou. Tentei utilizá-lo como um patinete tradicional, mas logo vi-me exaurido; ele é pesado para tal. Ao retornar, o proprietário cedeu-me outro e usei-o por mais alguns minutos. 


Independentemente da nossa idade, não devemos sufocar a criança que sempre existe no nosso interior: se tiver vontade de fazer algo inofensivo, como pilotar um patinete elétrico, faça-o, sentir-se-á rejuvenescido. Se assim o fizermos, mais desejos tornar-se-ão realidade! Realizei um deles dia 30 de dezembro de 2025.