sexta-feira, 22 de junho de 2018

A KIND OF CONFUSED DIALOGUE ( at least for us)




— Shall we go?
— What? Sorry!!
— Shall we go?
— Go? to where?
— Where we can do…
— Are you sure about it?
— Of course, I guarantee you won’t regret that!
— But to do what?
— We can do … I will do... for you, it will be marvelous, you won’t sorrow about my skills…
— Skills of what? to do…


— It won’t cost anything, only the p…. in other words, it will…
— No, sorry. I don’t want it. I am so busy, I am in a hurry!
— I will do it, I am aware you are going to have… what I can do, no one can do even similar to it.
— Sorry, I can’t understand even a word you say.
— For sure, you do...
— Sorry, but I have to go!
— In this case, you are going to regret not to accept to go…
— Sorry, I don’t understand: to go, where, to do, to have p… alright! maybe some other day. I see you!




— That’s a pity!
— What? A pity for what?
— For your decision, because your refusal is kind of option, it is the same way if you had agreed with me.
— Then, forget everything, I am so busy, I have to go now. I see you!
— I say again: that’s a pity again!
— He thinks to himself: This world is full of crazy people. If people could at least to communicate well, and say what they want to express.
                              Jun 22nd, 2018

quinta-feira, 24 de maio de 2018

O PODER DAS RODAS CARGUEIRAS

Em 2013, após as manifestações populares, dizia-se que o gigante – o povo – tinha despertado. Não acreditei, atribuí-as ao incentivo de alguns protagonistas com diversos vieses ideológicos ou objetivos, via mídias sociais, somado à difusão pela mídia tradicional.

Desde então, passaram-se cinco anos; nesse ínterim, foram ensaiadas outras manifestações populares – sempre encaminhadas via mídias sociais –, mas nenhuma de monta similar àquela e outras pré-Copa do Mundo 2014, quando, inclusive, houve desrespeito à mandatária primaz.


Tivemos até os vizinhos argentinos a bradarem – em suas revindicações – que a Argentina não era o Brasil, no caso, eles não seriam tão pacatos com o seu governo como nós temo-lo sido. A indiferença política é uma característica marcante do brasileiro, a qual é conhecida por muitos afora.
Em 2015, durante o governo Dilma, os caminhoneiros tentaram uma paralisação nacional, a qual não se compara em monta com atual, maio 2018. Houve ilações de que a categoria estava sendo utilizada com propósitos antigovernistas.

Falemos da atual. Sempre pensei que, não obstante termos um povo um tanto quanto alheio aos nossos temas sociais, algumas categorias profissionais poderiam colocar uma unidade governamental (cidade, estado e união) aonde quisessem. Por exemplo, imaginemos os profissionais de transporte ou os da limpeza urbana parados, seria uma catástrofe para qualquer cidade; se os profissionais dessas mesmas categorias de outras cidades se unissem aos primeiros poder-se-ia haver um problema estadual. E, assim por diante.

Algumas outras categorias também têm grande poder de negociação. Pensemos nos aeronautas e profissionais dos aeroportos, esses igualmente têm o poder de forçar os dirigentes setoriais a atendê-los em muitos casos, se não todas, talvez a quase todas as suas reivindicações.

Por que somos dependentes do transporte rodoviário?
Equivocadamente, um outro governo – leia Fernando Henrique Cardoso – desmontou a nossa malha ferroviária ao invés de incrementá-la, quando é sabido que, em muitos países envolvidos, grande parte do transporte de carga ocorre por essa modalidade, e também hidroviária.

Parte maciça do transporte de carga brasileiro é feita por via rodoviária; essa não só encarece a vida do brasileiro como contribui para a ceifa de milhares de vida, seja pelos acidentes, seja pela irresponsabilidade governamental da não fiscalização de nossas rodovias. Sabe-se que há um enorme número de motoristas, de todos os tipos de veículos, que dirigem de forma imprudente, e comenta-se haver motoristas de caminhões que se utilizam de drogas para dirigir por longo tempo, mormente à noite; enfim, suas condições de trabalho não são as desejáveis. Tais fatos resultam em mais acidentes, mais incapazes físicos e mais mortos. Em suma: prejuízos sociais por todos os lados.

Com a paralisação atual, tem muita gente irritada com os motoristas, com os proprietários de postos de combustíveis, talvez, uns poucos com o governo – quando ele é o único responsável por esse e tantos outros transtornos sociais.

Intenciono que não só os caminhoneiros, mas todos os brasileiros – independente de suas profissões – que têm força moral e sociopolítica esforcem-se para que todos tenhamos um país justo, inclusive no que se refere aos impostos que pagamos, os quais são escorchantes em demasia.                                   24/05/2018

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

OS 2/5 DO INFERNO SOBRE O POVO BRASILEIRO

Os nossos impostos, aquilo que pagamos diretamente aos desgovernos, são altíssimos; os beneficiados são os próprios desgovernos, seus pseudo-agentes e seus bajuladores. Quanto ao povo – os espoliados pagadores dos 2/5 do inferno – nunca recebe benesse alguma como retorno.

Diversos prefeitos-fantoches, aqueles que só sabem aumentar os tributos, majoram o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) em percentuais assustadores, escarnecem-se dos seus munícipes.

Desgovernos estaduais, da mesma valha, tripudiam sobre os servidores e a população. Inúmeros estados falidos sequer pagam os funcionários.

O desgoverno federal não atualiza a tabela do Imposto de Renda desde 1996, defasada em 88,4% (http://economia.estadao.com.br/noticias/seu-dinheiro,sem-correcao-defasagem-da-tabela-do-ir-sobe-para-88-4,70002147100).

Há cerca de 3 anos, pagava R$ 400,00 pelo trecho Curitiba/Campo Grande/Curitiba, hoje só um trecho custa mais de R$ 400,00. Para ambos os casos, bilhetes comprados com antecedência de, no mínimo, 30 dias.

As companhias aéreas, com o respaldo da ANAC (Agência 
Nacional de Aviação Civil), organizaram-se para a indenização de bagagem pelo passageiro, alegando que a tarifa da passagem, propriamente dita, baixaria e o cliente seria cobrado com justeza, visto que quem levasse bagagem mais pesada pagaria mais por ela e vice-versa.

Agora, o passageiro que não leva uma mala pequena, mas apenas sua mochila, vê-se coagido pela tripulação a jogá-la no piso – certamente sujo, pois é o lugar onde as pessoas colocam os seus pés. Quem não leva mala pequena a bordo está pagando a mais, pagando para que outros levem as suas pequenas malas nos compartimentos internos; isso se soma à mala grande, que porventura tenha despachado e pagado por ela. No dia 29 de janeiro de 2018, paguei R$ 80,00 por uma mala de 26 kg, e ainda queriam que eu colocasse a mochila no chão.

Se há malas pequenas demais nos compartimentos acima dos passageiros não é problema de quem ainda não armazenou a sua bagagem de até 10 kg. O que a ANAC faz que não consegue gerenciar essa questiúncula? Não acreditei nessa história, o mercado não oscila a favor do cidadão.

Ainda no dia 29 de janeiro de 2018, uma garrafa de água com 310 ml custou-me R$ 5,50, o que equivale a pagar R$ 17,74 por um litro de água – deve ser o litro de água mais caro do mundo. Tem opção ? Tem, paga-se o preço vigente ou não paga e toma-se água da torneira. E a água da torneira é confiável? dê-me um exemplo de um serviço brasileiro confiável, talvez nem a água mineral o seja, tendo em conta que os alimentos, os medicamentos, à venda não o são. Lembram-se do leite com formol, do Microvlar (o anticoncepcional com farinha), dos combustíveis batizados – esse bem recorrente?

Triste país, miseráveis brasileiros, até onde iremos se a incompetência de nossos desgovernos não lhes permite gerenciar os assuntos mais comezinhos de nossa sociedade? pelo contrário, acrescentam ao povo, problemas e mais problemas. Citemos algumas manchetes da atualidade, 2018: febre amarela e a sua vacina, presídios em alvoroço, crime organizado, mortes nos trânsitos urbanos e interurbanos, desemprego altíssimo, poluição em geral, falta de água, energia elétrica cara, combustível caro, educação precária, saúde pública ineficiente, corrupção crescente, segmento do judiciário pressionado e instável. A lista é infinda.

Se não tivéssemos desgovernos oficialmente, haja vista que, na prática, não temos governos há muito tempo; nem me lembro quando o povo brasileiro o teve.

Pagamos impostos maiores que muitos países desenvolvidos e temos serviços públicos de país terceiro-mundista, ou se quiser um termo mais atualizado, conforme o tosco discurso politicamente correto: país em desenvolvimento. Isso só na teoria, porquanto não há desenvolvimento nestas plagas.                                                                                                                                       07/02/2018

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

PRÓ E CONTRA MONARQUIA NO BRASIL

          Nos dias de hoje, refiro-me a 2017, muitos pensam que podem obter todos os direitos inimagináveis agora, mais os que as suas mentes possam vir a criar. Esses muitos consideram-se defensores de quaisquer verdades suas, às vezes, as mais estapafúrdias que um dito homo sapiens possa ter. Mas eles podem, visto que elas os favorecem.
Somado a isso, são por demais intolerantes às ideias alheias, exercendo o escárnio, o linchamento o moral e, em casos mais violentos, até o físico. Não importa o cerne da oposição de ideias e/ou preferências, vai desde o futebol, passando pela política, pelas artes, até a escolha sexual.
          E pasmem os senhores – quando escrevo senhores refiro-me às mulheres e aos homens, não somente a esses – presenciei um pequeno debate político real, sem ofensas de quaisquer tipos. As pessoas ativeram-se à defesa das convicções, não se desviaram para as ofensas da moral, da religião ou da família alheia. Este poderia ser um exemplo de debate civilizado a ser seguido, porquanto o brasileiro tornou-se politizado a partir de 2013, característica que paulatinamente vai se robustecendo em ânimos negativos – infelizmente – e em números.
          Leia o debate, mas antes entenda o seu início, o qual foi uma postagem em rede social, composta por algumas fotos com a bandeira do Brasil Império e as sentenças: “Viva o Império do Brasil!!! Em prol da volta da Família Imperial!!”

Um: – Tem gente querendo sustentar mais ociosos. O que as famílias reais fazem de bom para as suas nações? Precisamos é de vergonha na cara, o problema não é a política: quando o brasileiro – não o indivíduo, mas o conjunto de 207 milhões – prestar, a politica será boa.

Dois:Calma, amigo, a Família Imperial está e sempre esteve atenta ao nosso país. Como não pode agir politicamente, está sempre em contato com o povo, em ações sociais, eventos, hospitais, etc... sem uma luz para salvar e guiar os passos desta nação continuaremos caindo neste abismo republicano.

Um: – Se não há competência nos 207 milhões, o que nos assegura que esse segmento a detém. Respeito: opinião é opinião, contudo não visualizo fundamento.

Dois: Nossos políticos gastam milhões do dinheiro público todo ano com regalias... nós, monarquistas, queremos um controle desses gastos... isso, além de outras coisas, só serão feitos por alguém sem vínculo político, no caso, o Imperador.
A diferença é que um monarca é preparado desde a infância para ser chefe de estado. Diferente de um presidente que pode acordar um dia e falar: vou me candidatar. Sem nem saber ler direito.
Pesquise um pouco sobre a Família Imperial do Brasil. Vai entender do que estou falando, quando os conhecer melhor. Não vi patriotismo em nenhum outro lugar e em ninguém igual ao que presenciei em Dom Bertrand.

Um: Temos políticos que o são por inúmeras décadas e não aprendem. O que os príncipes Harry e William aprenderam para auxiliar o governo britânico, por exemplo? Penso que nada. Penso que me situo entre os que gostariam de ver este país em outro patamar. Nem por isso, estou à altura da governança de que ele precisa. Precisamos de ética, as demais características necessárias para ter uma boa e grande nação virão no bojo. Sou contra a monarquia, é arrumar mais gente para viver à custa do povo. Os nossos ex-imperadores eram malemolentes, quiçá despreparados, não fizeram boas gestões.

Dois: Eles passaram por uma situação difícil com a morte da mãe. Mas saberão o que fazer quando chegar a hora. Eles têm excelentes exemplos a seguir

Um: – Como disse, respeito a sua opinião. Contudo, se depender de meu voto, este país jamais será de novo uma monarquia.

Dois: Não sei a quais imperadores você se refere, mas D. João VI, nem foi imperador. Na época de D. Pedro II, o Brasil era uma das maiores potências mundiais, com muitos progressos, estabilidade política e financeira, tínhamos uma das maiores e mais preparadas marinhas do mundo. Sua opinião, também tem meu respeito. Obrigado por compartilhá-la. Mas gostaria de lembrar que a monarquia parlamentarista foi o único regime que deu certo no Brasil. Boa noite, amigo!

Um: Talvez conheça mais História do que eu. Todavia, não me lembro de um período relativamente longo, quiçá 5 décadas, que este belo e espoliado país tenha dado certo, face aos eternos malfeitores empoderados. Obrigado pelo debate. Abraço.

Dois: Abraço!


          Oxalá todo confronto de opiniões se desenvolvesse e finalizasse como esse. Quiçá um dia o povo brasileiro seja urbano o suficiente para tal nível de convivência face às diversidades.                                                                                               

16/11/2017

domingo, 1 de outubro de 2017

segunda-feira, 12 de junho de 2017

12 DE JUNHO – PRECISAMOS DE UMA DATA PARA O NAMORO?


Dentre tantas datas mercadoras, mais uma.
       Quão estranho ter de uma data para o namoro!
Namore todos os dias, todos os segundos.
      Namore todos, isto é, tenha amor por todos. 
Mormente a si mesmo, o si é o ponto de partida,
   significa amor próprio, não é narcisismo.
Amor para todos, oriundo da máxima:
     "amar a todos como a si mesmo".
Quem não se namora, não conseguirá namorar outros.
          Não deixe que determinem o quê, como e quando fazer,
             se depende só do seu arbítrio e não é deletério a outrem.
         Namore a todo instante e o mundo será
                    mais amoroso.
                                                                                  12/06/2017




sexta-feira, 12 de maio de 2017

O ROQUE QUE NÃO SE TOCAVA

Bom dia, tudo bem?
Bom dia, tudo bem!
Posso contar-lhe algo de estranho que vi?
Claro!
Estava quase chegando à casa, vi um servente de pedreiro, homem adulto jovem, loiro, barrigudo, com um piercing grande na orelha, sem camisa, bermuda longa e chinelos de dedo, tatuagem tribal em um dos ombros, cabeça raspada nas laterais e coque “à la samurai” que está na moda, no alto das junções parietais. É interessante que a despeito da crítica do proletariado às demais classes ele quer igualdade com a burguesia. Não é o caso de negar a equidade universal, mas parece-me um contrassenso um trabalhador braçal trajar-se como um playboy.

Observações como essas são material para a reflexão do nosso entorno. Vi que duas universidades privadas publicizaram os seus serviços de escolarização à mercê de um ex-atleta e um profissional da mídia televisiva. Não vejo onde estão as relações entre os personagens e a área de atuação delas.
É porque eles são famosos.
— É verdade. Mas sabe-se que os artistas em sua maioria – exceto parte considerável dos escritores e alguns representantes isolados de outras artes – não são profissionais dentre os maiores frequentadores da academia ou conhecedores de assuntos afetos a ela. E se as entidades escolares públicas grevam amiúde somente por aumentos salariais e os estabelecimentos privados utilizam-se de celebridades para atrair clientes vê-se que elas não têm em seu bojo a prioridade de escolarizar o seu público.

Não tenho como contestar. E para ilustrar a desconexão entre o que deveria ser uma atividade profissional e o seu fim social veja isso: uma empresa de locação de livros fixou bandeirolas nos postes de sinais de trânsito e de iluminação. É visível que a tônica da empresa não é o fomento da leitura, o esclarecimento ou o lazer da população – nem de longe –, também não com a coisa pública, mas algo que é quase um homófono da flor petúnia, com a diferenciação de um componente alfabético.

— As ruas e outros lugares públicos são fontes infindáveis de acontecimentos interessantes sob diversos aspectos de análise. Por volta de meio-dia, duas adolescentes de tenras peles bem cuidadas, com uniformes escolares, estavam em um ônibus e tinham às mãos coroas de princesas em papel de um restaurante de refeição rápida; o que significavam que tiveram o almoço naquele local após as suas aulas matinais. Em um banco atrás delas uma outra jovem, com cerca de meia dúzia de anos a mais que elas tinha um bebê ao colo, com chupeta na boca, não obstante a ínfima diferença etária a cútis da mama que alimentava o mancebinho e da face daquela moçoila mãe não apresentava a mesma delicadeza da face das estudantes.
Não há justeza entre os seres humanos, parece sequer que ela foi a uma boa escola e por um tempo adequado à sua formação intelectual. Os cabelos e outros sinais do seu corpo desfilavam traços de sofrimento e subnutrição.
Se lógica houvesse na existência humana, poder-se-ia predizer as décadas vindouras daquelas quatro pessoas. As raparigas antes de apearem da nau rolante miraram o bebê e comentaram algo entre si; uma dela aparentava desde cedo possuir a inclinação maternal.

Gostei deveras dessa sua história e sua consideração. Pois permita-me relatar uma mais. Um jovem argentino, com um chapéu de feltro, estilo vaqueiro, tocava o seu violão, a maioria das canções era em espanhol, outras poucas em português. Após três canções fez a sua apresentação e a razão de sua estada no Brasil: visitar alguns lugares nossos.
Elogiou a terra e o povo, logo recebeu aplausos. Aproveitou o ensejo e mostrou o chapéu invertido para amealhar alguns reais, a maioria colaborou com pequenas moedas,
houve parcos doadores de 5 reais, possivelmente os ditos amantes de verdade da arte popular, sejam porque gostam ou porque são também artistas não profissionais, fizeram-no por empatia, trataram-no como gostariam de ser tratados em suas apresentações.
Um jovem aproximara-se, disse que era o segundo show dele a que assistia naquela semana. Disse que também era músico, tocava violino. Perguntou-lhe como era aquela vida de viajante e sustentá-la com as apresentações musicais. Ele respondeu que era muito tranquilo e divertido, nunca houvera sentido qualquer constrangimento por alguma autoridade ou pelo povo, sempre foi bem acolhido.
Perguntado quanto era possível receber em um dia disse que em uma vigem de ônibus, cerca de 20 km, conseguia 100 reais e, ainda, converteu em dólares: 30. O que era suficiente para as despesas; às vezes, fazia mais de uma viagem quando precisava de mais dinheiro. Sua meta era chegar ao nordeste brasileiro, viajando de ônibus, tocando e recebendo doações por suas canções, o que custearia a empresa.

Temos revezado a contação de histórias, mas agora eu gostaria de relatar uma das inúmeras incoerências que se pode ver em nossa metrópole. Havia uma pessoa que esmolava em uma das nossas avenidas centrais. Ela portava um pequeno cartaz dizendo que precisava de dinheiro para quitar a sua conta de água. Pareceu-me uma razão pouco plausível, visto que poderia trabalhar para conseguir a quantia devida. Entretanto, a incoerência, o disparate ou algo que se assemelhe, é que ela fazia-o há a mais de um ano. Listarei algumas hipóteses: 1) ela podia ser esperta, o tipo de gente que não gosta de trabalhar; 2) podia gostar de trabalhar, não gostava de ter patrão, e considerava a mendicância uma profissão, era uma microempresária; 3) o valor da conta era tão alto que ela não conseguia o valor com trabalho, já que não devia ter uma outra profissão, uma qualificação que lhe possibilitasse maiores percepções. Em suma, é uma história bizarra, e havia gente que lhe fazia doações. Já observou alguma insensatez?

Sim, vejo-as diuturnamente. Não sei se é prerrogativa dos habitantes desta cidade, os seus motoristas cientes de que fazem tolices – desobediência às leis de trânsito – fazem-nas com aval interno e/ou externo de que ao ligarem o pisca-alerta estão escusados da falta, por exemplo: estacionam sobre a calçada ou em local proibido e ligam-no. Imagino que eles pensam que o pisca-alerta tem o poder de mudar a lei, favorecendo-lhes.
Deixe-me apresentar um adendo diante das observações que fizemos. Lembrei-me de algo que ouvi: “não se deve ver o mundo sob a ótica do dualismo, isso pode remeter a uma maneira segmentada de observar e pensar sobre o mundo.” E nós as fizemos sob o conceito de certo e errado. Assim, poderiam esses personagens citados ter agido embasados em outra forma de pensar?

Não sei se há outra forma de ver, observar e de se comportar no mundo, haja vista que se alguém segue as leis, a lógica da boa convivência em sociedade, ou mesmo em família, a convivência torna-se melhor, logo a sociedade também.
Também não sei como poderia fazer para que vivêssemos melhor em sociedade.
Bem, posso contar mais um?
Certamente!

Também vi um artista de ônibus. Ele era brasileiro, bem mais maduro que o argentino. Estava na faixa dos 40 anos, era um pouco calvo no topo, mas tinha os cabelos longos à altura dos ombros, usava uma barba curta, tinha a aparência cansada, além da sua idade, talvez pelas agruras da vida de artista amador.
Ele cantou várias músicas brasileiras, uma de Alceu Valença, uma de Gonzaguinha, das quais não me lembro dos nomes.
Uma jovem, de 20 e poucos anos, estava empolgada, bem à frente dele, encostada na sanfona do ônibus biarticulado. Entre uma música e outra ela apresentou-se, disse que havia apreciado o talento dele em outro lugar. Deu-lhe um beijo no rosto, um abraço apertado e longo, o qual pareceu-me deveras aconchegante, quiçá até molestador da testosterona, afinal era um belo, jovem e agradável espécime.
Alguém pediu que tocasse um roque brasileiro, algo de Lulu Santos, Ultraje a rigor, ou similares. Ele ficou desconcertado, disse que não tocava músicas daquele estilo. Desculpou-se por não sabê-lo e por não fazer jus ao seu nome de batismo e artístico.
Tocou mais algumas músicas e correu o chapéu frente aos passageiros da parte posterior do veículo. Despediu-se e desejou boa viagem a todos.

A despeito das proibições de vendas e solicitações diversas nos ônibus e terminais, algumas pessoas desobedecem-nas e, em alguns casos, aumentam a aflição dos usuários de ônibus.
Sim, as administrações têm sido omissas quanto à fiscalização de vários setores. Uma forma interessante de refletir sobre o gerenciamento é compará-la ao jogo de xadrez, fazem-se necessários estratagemas para todas ações, e uns não funcionam sem os outros, é uma retroalimentação.

A propósito, você sabia que no jogo de xadrez também há roque?
Não sei jogá-lo.
Tenho um tabuleiro, se você o quiser, posso ensiná-lo a jogar. Em vez de falarmos e refletirmos sobre a cidade e o povo podemos refletir sobre estratégias de ataque e de defesa no tabuleiro.
Combinado, até a próxima semana, e vamos ao jogo de xadrez.
Até domingo!                                                                                                                                                                                   


   30042017