domingo, 17 de maio de 2026

 

PAZ


A minha definição de paz: Parece-me interessante que para ter paz é preciso ter atingido todas as outras coisas de que necessitamos, ou valorizamos. É o último estágio da satisfação humana. É o que os budistas chamam de nirvana.

Enviei a reflexão supracitada a 80 pessoas, com a esperança que muitas me enviassem as suas considerações.

Contudo, 53 delas não me enviaram sequer a mínima manifestação . O que me causou uma surpresa negativa, haja vista que são todas pessoas conhecidas, com diferentes níveis de aproximação.

27 pessoas honraram-me com algum retorno, por mais singelos que fossem, tais como emojis de coração, de gratidão, de positivo. Outras demonstraram aceitação da essência da pequena assertiva com as palavras gratidão, perfeito e verdade.

Quisera muito que todos houvessem me enviado as reflexões, mesmo que contrárias ao meu enunciado.



Alguns lembraram de citar as suas crenças religiosas, e inseriram o nome de Jesus Cristo como modelo de vivência para os humanos.

“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.” Filipenses 4:7.

Somente Jesus Cristo pode dar-nos a paz; e isso consegue-se com a obediência à sua vontade.


Outros repetiram a palavra nirvana.

Algumas foram concordes, e acrescentaram que atingir o nirvana é árduo por requerer grande equilíbrio.

Concordou. Procura o nirvana há tempos.

Muitos caminhos espirituais veem a paz como a última flor que desabrocha. Mas ela pode ser também a semente para outros níveis de conquista. O nirvana no budismo é o estado supremo de libertação, paz interior e ausência de sofrimento.

A paz é um estado, mas ela varia de pessoa para pessoa. Ela pode ser encontrada no vídeo game ou na pintura, por exemplo. O Nirvana pode ser entendido como um estado permanente de fluidez existencial, onde a mente e o ser estão em harmonia total. Esse ponto é a felicidade.


Concordância, com a adição de dificuldades para a obtenção da paz.

A paz é o ultimo estágio da evolução humana.

Para ter paz, é necessário ter controle emocional e autoconhecimento elevados a ponto de nenhuma circunstância afetar o autoequilíbrio. Os torvelinhos devem servir apenas de pontos de reflexão e aprendizado.

É uma perspectiva plausível, entretanto, a sua conquista é deveras desafiadora.


Houve alguns retornos com concordância parcial e acréscimos.

A paz pode ser usufruída, mesmo nas intempéries das nossas vidas, ao proporcionarmos alegria e bem-estar a outrem.

Essa visão pode ser considerada se nos ativermos somente à perfeição do ser. Todavia, mesmo como portadores de falhas, podemos gozar de momentos de paz.

O conceito de paz está além do que foi dito.

Veem-se pessoas com vários problemas que alegam viver em paz. Crê que o assunto é complexo e requer discussão aprofundada.

Enfim, uma discordância integral, junto a menção de Jesus Cristo.


A paz é a primeira conquista no caminho da evolução humana. E para galgá-la é preciso desapegar de todas as preocupações materiais ou não; dado que essas não permitem o equilíbrio emocional para atingir aquela. Jesus Cristo é o exemplo do desapego e de evolução que devemos perseguir.

O que é esta PAZ que “quase ninguém” a detém. Penso que mesmo os detentores autoproclamados fantasiam.

Se a paz individual é inatingível, as famílias se digladiam por motivos torpes ou materiais, o que dizer da paz global?

A Revista Exame informou que em 2024 havia 61 conflitos armados estatais em 36 países e 74 não-governamentais. Esse número é o maior desde 1946.

Oxalá cada um continue a perseguir a conquista da paz individual, visto que oito bilhões de pazes individuais resultarão na paz mundial.


Referência

REVISTA Exame. Estudo aponta maior número de conflitos no mundo desde 1946, com destaque para a América Latina. 2025. Disponível em: https://exame.com/mundo/estudo-aponta-maior-numero-de-conflitos-no-mundo-desde-1946-com-destaque-para-a-america-latina/ 2025. Acesso em: 17 mai. 2026.



sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

PATINANDO COM OS DESEJOS

Em 2018, ao retornar de férias à minha cidade de residência — escrevo como tal, porque mesmo sendo a minha cidade paixão, não era a minha cidade propriamente dita —, devido a não ter nascido ou não ter sido criado naquela localidade. É a melhor cidade brasileira, segundo a minha ótica, nem preciso escrever o seu nome, visto que certamente você sabe a resposta. 

Pude observar que havia patinetes amarelos, patinetes verdes e bicicletas amarelas para aluguel. Tive vontade de experimentar um patinete; contudo, por uma razão inespecífica, ou seja, eu não sei dizer, não o fiz. 

Talvez após um ano, eles foram proibidos e retirados de circulação. É incrível que, por algum tempo, alguns cidadãos ainda possuíam bicicletas similares, cuja via de aquisição desconheço. 

Após vários anos, revi-os, dessa vez no Rio de Janeiro. Lá estavam os patinetes elétricos e as bicicletas convencionais e elétricas para o aluguer. Novamente, fiquei ávido para experimentar um patinete elétrico. Entretanto, havia a necessidade de baixar um aplicativo para o acesso. Manejar aplicativos via celular, nas ruas cariocas não era e continua não sendo um ato previdente, confortável; pode custar-lhe inclusive a existência. Se eu, ao menos, tivesse companhia para assegurar uma pseudo segurança contra os meliantes… mas não. 

Assim, a frustração reinvadiu o meu ser, o que ocorreu em distanciados lapsos entre 2018 e 2025. Três meses após a última decepção, revejo os patinetes elétricos, não tão uniformes nas cores e no estado de conservação de então. Afinal, o detentor não era mais uma grande empresa que se espalhava pelo país afora, mas sim, um microempresário. Nesse dia, os ânimos não estavam em alta para essa pequena aventura. 

Uma semana após, não resisti: 20 minutos por 20 reais. O dono explicou-me: aqui é o acelerador, na mão direita, e na esquerda, o freio. Primeiro, impulsione-o, suba e acelere. Qual é a velocidade? Cerca de 10 km/h. Nada de equipamentos de proteção. O meu frontal seria o capacete e a fratura do osso rádio poderia ser o resultado do não uso de cotoveleiras e de luvas. À primeira tentativa, ele não saiu do local.

O senhor redisse, é preciso impulsionar antes de subir e depois acelerar. Pronto! Eu deslizava pela ciclovia da Orla Morena, defronte ao Aeroporto de Campo Grande, em direção ao centro. Sentia na face o frescor contrastante da canícula da cidade oestina. Como os pneus são de borracha dura, o patinete vibrava conforme a superfície de rolagem. Pude verificar que não são apenas os carros que sofrem avarias causadas pela má pavimentação asfáltica. Pensei: a minha pele está se movimentando como uma gelatina — treme-treme — devido a essa condição da ciclovia. 

Planejei pilotá-lo por cerca de dois quilômetros, ida e volta. Todavia, antes de retornar ao ponto inicial, cerca de 500 metros, a bateria acabou. Tentei utilizá-lo como um patinete tradicional, mas logo vi-me exaurido; ele é pesado para tal. Ao retornar, o proprietário cedeu-me outro e usei-o por mais alguns minutos. 


Independentemente da nossa idade, não devemos sufocar a criança que sempre existe no nosso interior: se tiver vontade de fazer algo inofensivo, como pilotar um patinete elétrico, faça-o, sentir-se-á rejuvenescido. Se assim o fizermos, mais desejos tornar-se-ão realidade! Realizei um deles dia 30 de dezembro de 2025.