segunda-feira, 30 de abril de 2012

PRETO E BRANCO OU EM CORES?


            Na maioria das situações o que é colorido é mais bonito; por isso, prefiro-o.

           Entretanto, se for para fotografar locais históricos ou pessoas escolho o preto e branco. Ao passo que para as paisagens o colorido acerta-lhes.

           Abomino espírito preto e branco, eles levam-me ao estado macambúzio; no entanto, as noites para dormir — essas são as escolhidas —, se for para diversão, quero-as as mais coloridas impossíveis.

             Dizem que o escuro — o total — é a falta de luz; vê-se que eles – preto e branco e colorido são independentes. Se da minha autoridade dependesse, eu jamais eliminaria um e outro, ou um ou outro. Gosto de ambos.

             As coisas são belas quando são vivazes em suas cores, mesmo que restritas às mais claras e/ou às mais escuras delas. 30/04/2012

domingo, 8 de abril de 2012

EU, SEUS OLHOS, LÁBIOS E CORAÇÃO

Os seus olhos são os meus livros prediletos
Nada pode haver de mais belo e instrutivo
Em nenhum outro poderei ler algo mais interessante
É lá que estão todo o amor e sabedoria de que preciso


Não pode haver flores mais belas do que seus lábios, nem outro tão gostoso néctar que de outros lábios escorra
Não, não há mais belas e evanecedoras flores, nem neste ou qualquer outro planeta
Bebendo dele poderei dispensar até o mais indispensável dos outros líquidos, ele me sacia completamente

É mais  que tudo de que  poderia precisar para sarar-me todas as chagas da longa existência e o elixir para o porvir 
O seu coração é o sangue de que o meu precisa para bater
Nada, nenhum outro, poderá fazer o meu tão ardente
Com os seus olhos, lábios e coração, de que mais preciso para viver intensamente?
Só a sua recíproca completaria o meu maior fazer e o meu ser                  01/04/2012

terça-feira, 27 de março de 2012

Cada povo tem o que merece

Diz-se que todas as regras têm exceções; inclusive essa, visto que a regra de acentuação das palavras proparoxítonas excetua-se ao ditame. Parafraseando a assertiva, quero ater-me a esta: toda – talvez, nem toda – generalização incorre em erros ou injustiças. Para ilustrá-la: “cada povo tem isso ou aquilo que merece”. Não importa o que seja, sempre há um completador de plantão ávido por fazê-lo. Penso que é uma frase um tanto tola, de quem não tem a criatividade suficiente para substituí-la por uma de própria construção, por isso, critico-a. Se todos recebessem somente o merecido, Cristo não teria sido crucificado, seres humanos não nasceriam defeituosos, nem morreriam de fome – ser nenhum merece morrer de fome ou por qualquer outra carência material -, homens honestos não seriam ludibriados, ou assassinados, nem mulheres estupradas – nenhuma o merece; bem como todos os larápios (independente de sua formação sociointelectual) seriam conduzidos ao rigor das punições legais. Portanto, esse provérbio popular é uma toleimice. O povo brasileiro não tem os políticos que merece – pois ele não os merece, mas os quer. O povo brasileiro não tem o nível de educação social que merece, porém tem a que construiu ao longo dos seus cinco séculos e poucos anos. Bem como não tem a cultura erudita ou popular que merece, contudo, a que construiu e está a construir. Visto que, se o dizer estiver correto, poder-se-ia afirmar que os povos desenvolvidos mereceram uma economia abastada, todavia, já não a merecem mais? E na mesma linha de exemplos podem-se acrescentar diversos outros. Donde pode-se ressaltar que nem sempre a sabedoria ou quantas outras virtudes estão na mente do povo – de inicio – e, depois nos lábios dele. Pensamentos rasos originam construções frasais superficiais, e cá estão novamente a educação e a cultura de um povo. Quiçá possamos substituir o substativo por outro: espécie. 25/7/11.

domingo, 15 de janeiro de 2012

O Brasil não é maior que o Reino Unido

Recentemente a mídia brasileira anunciou em boa tonalidade e legibilidade que o Brasil é a quinta economia mundial, ocasião em que havia ultrapassado a do Reino Unido. Entretanto, penso que a colocação no cenário econômico é apenas um dado a se considerar – o que é tendencioso – têm que se analisar os países em aspectos mais amplos. Veja bem, o Brasil tem 38 vezes o território e mais de 3 vezes a população do dito ultrapassado; detém o 84º IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), enquanto o outro, o 26º; bem como — ou seja, mal que — o brasileiro tem uma expectativa de vida de menos 7 anos que o do comparado. Quantas universidades brasileiras foram classificadas dentre as 200 melhores do mundo em 2011, segundo o THE (Times Higher Education)? Uma. Quantas do Reino Unido? Trinta e duas. Quem vive melhor não é aquele que trabalha mais, ou produz mais, e sim, aquele que gasta melhor consigo, neste caso, com o seu povo. O Brasil não sabe e nem se preocupa em gastar racionalmente, ou melhor, não há redistribuição de renda, nem oferta de bons serviços públicos para o seu povo. Para mim, não importa se o meu país é a primeira ou a última economia mundial— isso é orgulho de tolo — quero, sim, qualidade de vida para todos meus conterrâneos, com tudo que isso possa abarcar: politização (não apenas participação em um ou outro partido político), consciência de direitos e deveres, cultura e escolarização, saúde, patriotismo consciente, lisura nos meios públicos e privados (incorruptibilidade), haja vista que essas características trazem muitas outras também fundamentais ao ser humano. Esse sim, seria um povo que saberia viver verdadeiramente; subsistir é para as pedras. Quero que o meu povo tenha o primeiro IDH, significativa participação no mundo acadêmico e científico, renda anual de U$ 60.000 e não renda per capta — essa é uma grande ilusão. Prefiro a qualidade de vida daquele povo à da quinta economia mundial. E você, brasileiro? 06/01/12

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

STEPHEN HAWKING NÃO É ESPARTANO

Soube que os espartanos eliminavam seus bebês fracos, deformados ou enfermos, haja vista que seres em tais condições não poderiam ser úteis àquela sociedade. Ainda bem que nos dias atuais vemos quantidades enormes de pessoas nas condições listadas, e não apenas crianças, mas em diversas faixas etárias. Se definirmos o homem como objeto, instrumento ou utensílio, realmente os espartanos podem ter sido corretos. Entretanto, penso que o ser humano pode estar além daquelas denominações – se bem que alguns estão aquém. Quando já na idade madura, trabalhei numa entidade que era conveniada a outra que tinha foco no cidadão com necessidades especiais. Essa visava a proporcionar uma vida mais digna aos desafortunados por nascença, por moléstias adquiridas ou acidentes. Considerava humanas as atitudes das duas entidades, os trabalhadores eram na sua maioria jovens e – não obstante o problema que os afligisse – eram simpáticos e alegres; conversava com muitos deles. Após alguns anos sofri um acidente em que bati a parte póstero-superior da cabeça na borda de uma piscina e fiquei quase um mês sem andar direito, a coluna doía só de tocar o solo na troca de passo, e um dos membros superiores adormecia eventualmente. Em certo dia, lembrei-me de que poderia ficar igual a um deles, porém tinha certeza de que não enfrentaria o fato da mesma forma que meus colegas. Felizmente tal auto agouro não se estabeleceu. Passada quase uma década, sofri uma queda e torci o joelho – apenas luxação de alguns ligamentos – tive que usar muletas para andar. E isso fez-me, mais uma vez, lembrar de meus colegas e de quanto sofrem os usuários — quer sejam permanentes, quer não —de muletas, cadeiras de rodas e andadores; visto que há cidades que não oferecem calçadas compatíveis com os apetrechos que permitem a locomoção, a sobrevivência dos portadores de algum infortúnio, Curitiba, por exemplo. Quanto a humanidade teria perdido se o físico inglês Stephen Hawking fosse espartano e o costume abrangesse os adultos? Se os espartanos estavam certos, hoje não tem mais importância, porém, se eu e meus colegas o fôssemos poderíamos ter sido eliminados. P.S. Feliz 70º aniversário, em 08/01/2012, Stephen Hawking. 030112

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A TELEVISÃO

Falar que a televisão é somente benéfica ou maléfica sob todos os aspectos é pensar de forma muito segmentada, haja vista que tudo que faz bem, um medicamento – por exemplo — se mal utilizado fará mal, podendo inclusive levar a vida do usuário a cabo. O mesmo pode-se dizer da televisão, a despeito de uma máxima de autor não lembrado de que “a televisão é um buraco onde você joga o seu tempo fora”, entretanto, só se pode acordar se o seu uso for demasiado e se nos estorvar o desempenho de outras atividades também construtivas e diversificadas. A formação cultural ou mesmo a informação cotidiana deve-se dar através de multi-meios, tais como literatura, teatro, televisão, música, etc, visando o contato com ideologias dos mais diferentes “matizes” e, assim, obter informações de fontes variadas, postar-se com visão crítica, porém, não preconceituosa. Também devem-se observar os programas televisivos com o mesmo senso crítico, comparando-os com outros meios de comunicação; todos eles são passivos de manipulação e isto, certamente, não é o que se quer. A sociedade deve exigir dos exibidores de televisão programas mais instrutivos e construtivos, principalmente para as nossas crianças que têm o seu caráter em formação. A saída pode ser a escolha sensata de horários e a intervenção adequada dos pais quanto à permissão ou não para as crianças verem determinados programas, sendo que os pais, de forma alguma, devem ser permissivos em demasia. Uma oração pode ser satânica ou cristã, e não deixa de ser uma oração, portanto não é a televisão que é nociva ou benéfica, e sim a mensagem veiculada por ela, portanto, cabe ao indivíduo e à família disciplinar o seu uso. 11022011

domingo, 11 de dezembro de 2011

É POSSÍVEL SALVAR A FILOSOFIA UNIVERSITÁRIA?

É ideia corrente que as atividades intelectuais – esse termo refere-se aqui a tudo que se relacione ao conhecimento – devem proporcionar melhorias à vida humana. Provavelmente as Ciências Humanas têm papel um pouco maior que as outras; por consequência, a filosofia que dentre as diversas características que possui – ou deve possuir – é a capacidade de desenvolver a estrutura do pensamento humano parece ser a que causa maior impacto na vida humana. Seguindo-se essa premissa podem-se elencar alguns comportamentos que devem ser incentivados e outros que devem ser eliminados – caso não, ao menos, evitados. Alguns dos quais são pertinentes ao docente; outros, ao discente e alguns outros, ao cidadão. A construção de obra de engenharia civil – propriamente dita – inicia-se pelo alicerce, e com a filosofia não deve ser diferente, a qual deve ocupar-se primeiramente com a base, a qual nada mais é que o homem que procura conhecer — o discente — o qual é o futuro nos mais diversos segmentos, inclusive o docente. Entretanto, como não se pode ocupar-se da base se não houver quem o faça, trataremos inicialmente de alguns quesitos inerentes ao docente. Não se devem esquecer os filósofos clássicos – visto que esses não só fundaram a ciência em pauta como auxiliam na inspiração no trajeto filosófico – porém, faz-se compulsório que se arejem as mentes com novas ideias, soluções e expectativas para uma sociedade que não está em época passada – a despeito de estudar seus diversos autores profílicos —, mas situam-se na idade contemporânea, em que tudo – ou quase – são diferentes; porém, não necessariamente melhor, independente do parâmetro de comparação. É preciso que haja um relacionamento franco, amistoso e sério entre as partes. Deve o professor despojar-se de qualquer sentimento ou comportamento que diminua, afaste o aluno – tais como — a arrogância, a pose de detentor do saber, a deseducação social e a ausência do ensinar. Veja o caso do curso noturno de filosofia, da UFPR: fora constado de maneira informal de que, nos anos de 2010 e 2011, cerca de 50% do alunado desistiram já no primeiro semestre. É óbvio que as causas são diversas, entretanto, é sabido que muito se deve às características indesejáveis do professorado. O docente deve aspirar ao desenvolvimento de sua área e ao interesse dos públicos interno e externo por ela, e não o contrário. Eles podem e devem indicar filósofos-modelos – a serem exemplos, no que tange ao seu desprendimento do mundano em benefício do desenvolvimento intelecto-social, ao seu denodo na produção científica e, quiçá, publicação para leigos—, entretanto, não é aconselhável fazer proselitismo de quem quer que seja. Visto que se o instruendo não estiver preparado para discernir o que lhe convém pode tornar-se um fanático, ou portar-se como uma ave que imita a fala, com apenas meia dúzia de palavras, normalmente pouco conhecidas com o cunho de lhe conceder erudição. Reconhece-se que nem todo indivíduo que se liga – ou quer se conectar – à filosofia é um filósofo ou o será; contudo, como a formação de um licenciado e/ou bacharel não se dá senão a duras penas, é aconselhável que seja usado um modelo – por exemplo, o filósofo K – na iniciação do pretenso conhecedor. Tal procedimento deve ocorrer só até certo ponto, para que se propicie o desasnar do neófito. Quando ele atingir um nível de segurança é interessante que prossiga com autonomia – elimine-se a imitação do exemplo. A evolução de uma entidade ou conjunto de ideias não deve estar à mercê de um indivíduo — como, por exemplo, o professor Z ou pesquisador Q ser o seu emblema —, muito embora, não devamos esquecer-nos que elas (as entidades) existem para a sociedade, um homem ou um conjunto deles não deve ser massacrado em prol de determinada instituição; bem como nenhum desses deve ser o ícone dela. Ambos, embora a entidade seja um ser inanimado, precisam um do outro para que as existências se façam. Que não apenas se oriente a ler os clássicos, mas que se ensine à exaustão como se deve lê-los e interpretá-los com propriedade; principalmente porque se tem uma educação escolar precária em nosso país, o que torna fato de que há muitos alunos que não conseguem ler, não porque não querem, mas porque não o sabem. Se alguém disser que não é papel da universidade, pode-se até concordar, porém não tentar amenizar o disparate também não resolve o caso, visto que o tempo não retrocede, e gente com poder deliberativo que o resolva parece inexistir. Seguindo-se no raciocínio da educação deficitária, também deve-se ensinar ao aluno redigir bem e em profusão, visando a produções acadêmicas e para leigos (público em geral). Preparar o discente para fazer apresentações ao vivo de assuntos filosóficos, com intuitos acadêmico e leigo. Contudo, para tal é necessário que o docente seja treinado previamente para eliminar o seu desconforto frente ao público e transmitir essas capacidades ao discente. Escrever textos acadêmicos em profusão e divulgá-los — sempre que possível — nos diversos meios de comunicação, de forma leiga (explicar os pensamentos filosóficos, neutralizar ou explicar os jargões). Ter sempre como fim o entendimento da mensagem Não fechar os olhos para o que não está na literatura especializada e encarar que a realidade faz parte do mundo fantástico. É preciso que o professor de filosofia seja um cidadão do seu tempo (época); reflita sobre temas que representem a realidade social do momento e ensine o aluno a fazê-lo. Ele deve autoinstruir-se com vistas ao aprofundamento e à diversidade cultural, distanciar-se da superespecialização, bem como estimular o instruendo na mesma direção. Não pensar, comportar-se, como se a filosofia fosse uma exclusividade – ou uma técnica – dos componentes da academia. Professores devem estruturar e estimular debates sobre as ideias dos filósofos, todavia, jamais com vistas a destruir um e construir outro — o de sua preferência –, comumente o ator principal, quando não único, de suas dissertações e teses. O docente deve esquivar-se do endeusamento de filósofos e/ou outros professores. Deve aspirar a uma filosofia nacional ao nível dos maiores centros americanos e europeus. Bem como ter em mente a independência da capacidade de pensar sob o jugo do exterior, e trabalhar simultaneamente para independência interna — dos pensadores acadêmicos e com a devida proporção do homem comum —, aquele que melhora e desenvolve a sociedade (aquela que não eleva o PIB — Produto Interno Bruto —, pelo menos, não direta e imediatamente). Atuar livre dos dogmas, já que só assim pode-se evoluir nos pensamentos, ensinar uma filsofia embasada nos mais diversos e adversos estudiosos. Através da filosofia, propiciar a construção da capacidade crítica do indivíduo, de modo a desenvolvê-lo político-socialmente; visto que indivíduos podem modificar o seu meio. E jamais, de forma alguma, facultar ou incentivar a suspensão do juízo, já que na verdade é a única coisa que — realmente — todos podem ter a posse. Não excluir a comunidade externa das atividades universitárias, contudo, isso requer primeiramente não aterrorizar a interna — os discentes. Se não se der nada para melhorar a vida delas, que também não as desbarate da assertiva de Marx de que “... A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo desumano,... Ela é o ópio do povo”. Não apresentar conflitos, incongruências aos neófitos da academia, à mídia e ao leigo. Isso distancia, leva ao descrédito por meio da incompreensão de quem não esteja cônscio de seu papel intelecto-social e/ou não tenha ainda a sua fundamentação para reflexionar sobre eles e digeri-los. O discente está na maior parte das vezes sob o direcionamento docente, porém, faz-se importante que ouse não construir a sua vida acadêmica sob a tutela de quem quer que seja (professores ou pensadores). Dentre as sua atribuições para um bom desempenho das atividades futuras, não listaríamos poucas.Ele deve ler os filósofos, mas é necessário arejar a mente com a maior variedade de literatura e atividades sócio-político-culturais, de modo a sempre possuir parâmetro de comparação. Deve relacionar-se franca, amistosa e seriamente com todas as pessoas, indistintamente da condição sócio-intelecto-funcional. Livrar-se de qualquer sentimento ou comportamento que prejudique o seu progresso multidisciplinar — cultural, caráter, social etc. A despeito de qualquer dificuldade que se lhe apresentar, lembrar que estar numa universidade (qualquer que seja ela, não é privilégio de muitos). Aspirar sempre ao desenvolvimento de sua área e tudo que seja correlato aos seus povo e país; procurar os exemplos de virtude no âmbito filosófico, não discriminar os filósofos e estudiosos em gerais, só os criticar quando tiver base para fazê-lo, visto que muitas vezes as circunstâncias vividas são um tanto díspares das hodiernas. Ter sempre em mente que a crítica por si só é amarga e desoladora, porém, não deixar de exercitá-la, mesmo que solitariamente. Afinal, ela é um bom exercício mental, se executada com critérios. Após a análise de orientações recebidas, acatar o que for lícito para o desenvolvimento a que se propõe na universidade; ainda mais sabendo-se da importância que pode ser a filosofia, conforme lido acima a respeito do docente. Dentre essas sugestões, não recuse uma e esmere-se em todas que forem possíveis. Reconhecer as suas limitações, porém, jamais contentar-se com elas; tem-se muito a aprender; o conhecimento humano e o que está por ser conhecido mora ao lado do inimaginável. Lembrar-se de que a filosofia é para melhorar a vida humana (esse é o Bem Supremo) e não para o próprio deleite em shows, ou algo a que se assemelhe. É necessário viver o que se aprende, independente de onde seja ou esteja — se houver viabilidade. Eliminar o endeusamento de filósofos, professores e/ou quem quer que seja. Evitar os dogmas, visto poder-se evoluir sem esse atrelamento que escraviza a mente. Quanto ao cidadão, ele nem sabe o que a universidade pode oferecer-lhe; mais uma coisa é certa: se oferecerem-lhe algo bom e plausível para a sua vida ( a emancipação do homem) e perceber que não se trata de misericórdia de seu empregado — pois, aquele é o mantenedor de toda entidade pública —, ele não recusará conhecer a filosofia e empregá-la. A bem da verdade, a população é um tanto curiosa, e porque não dizer interessada, a respeito da filosofia; haja vista que conhecimento só é útil se se puder entendê-lo e aplicá-lo no cotidiano. Nesse status de cidadão coloca-se também o estudante do ensino médio. Utopia por utopia, o jovem já possui as suas. Posto isso, pensa-se que a construção da ponte para ultrapassar o grande precipício entre universidade (docente), discente (universitário) e o público em geral( discente secundário e o povo) requer da universidade uma maior participação em relação aos demais e adequação à realidade. Possível é, resta saber se ela quer e se está preparada para fazê-lo. Porque se ela tivesse ambas as condições já o teria feito. 250611